segunda-feira, 19 de abril de 2010

OS MALES DECORRENTES DA PASSIVIDADE

O que é passividade? – É a cessação do exercício ativo da vontade no controle da mente, alma e corpo, ou de apenas um deles. O órgão da vontade pára de fazer escolhas e de tomar decisões sobre assuntos que lhe dizem respeito. A palavra passividade descreve simplesmente a condição oposta à atividade.

A passividade nos leva: (1) perda do controle próprio – no sentido de que a pessoa mesmo deixa de controlar todas as áreas de seu ser; (2) perda da vontade livre – no sentido de que a própria pessoa deixa de exercer sua vontade como o princípio orientador do controle pessoal, em harmonia com a vontade de Deus.

A passividade surge da não utilização de sua individualidade. Temos boca, mas nos recusamos a falar. Temos mãos, mas não as usamos. Aguardamos que Deus as use por nós. Não utilizamos nenhuma parte do nosso ser, mas esperamos que o Senhor ou uma terceira pessoa nos mova. É aí que caimos numa inércia, que abre o caminho para o engano e a invasão maligna.

Nossa vida era assim como Jerusalém sem templo, sem muros e sem porta. Estávamos num estado de vergonha e humilhação e sem esperança neste mundo. Mas num lindo dia o templo foi construído em nós através do nosso “Neemias” o Espírito Santo. O grande problema é que os muros ainda estavam caídos, isto aponta para nossa alma. (Ne 1:1-4)

Sem muros somos presas fáceis nas mãos do inimigo implacável. Uma cidade sem muros está sujeita a invasão do inimigo, satanás não tem acesso ao nosso espírito recriado, mas ele tem acesso ao nosso corpo e principalmente a nossa alma, caso alguma brecha lhe seja dada nos muros de nossa alma.

Nossa alma é o mundo de nossos pensamentos, sentimentos e vontades, é a nossa personalidade. A transformação da nossa alma exige um trabalho duro, tempo, cooperação entre nós e o Espírito Santo e às vezes se torna um processo dolorido, mas o Consolador nos mostrará as áreas danificadas e seremos restaurados em nome de Jesus.

RESTAURAÇÃO DA MENTE (Rm.12.2): A mente, a sede da alma, o pensamento, ou intelecto. É algo de um valor extraordinário. Deus deu ao homem uma capacidade de pensar, raciocinar, refletir, criar. A mente não apenas é a sede da alma, mas é também um campo de batalha.

Nela alcançamos a vitória ou a derrota. Ela é tão importante que se constituiu o primeiro alvo de satanás no Jardim do Éden. E o modo pelo qual ele iniciou seu ataque foi através da imagem e de pensamentos. Essa era a preocupação do Apóstolo quando diz: “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2Co11:3).

A imagem gera o pensamento, este por sua vez gera o sentimento e o sentimento provoca a reação. Essa sempre será a estratégia do diabo. Com imagens e pensamentos ele traz à angústia, o medo, a insegurança, a depressão, a mágoa, a falta de perdão, a rebeldia, a incredulidade, o pecado.

Essas duas coisas, imagens e pensamentos, são os elementos básicos com que satanás trabalha na mente do homem para destruí-lo. Essas imagens serão sempre geradas no reino físico e os pensamentos serão sempre misturados com o engano: um pouco de verdade e um pouco de erro, para que o homem tenha dúvidas quanto ao caráter de Deus, quanto ao próprio homem e quanto a satanás.

Nesses bombardeios ele pode levar o homem a dois extremos: ou ao orgulho ou à auto-depreciação. Tanto o complexo de superioridade como o complexo de inferioridade, embora pareçam opostos entre si, têm uma só raiz: a distorção da imagem do homem, provocada por ataques inimigos na área dos pensamentos.

Alvo de satanás é a passividade da mente, habituada a não raciocinar e filtrar o que ouve, assim tudo o que ele lançar ficará nela e produzirá fruto.

Vejamos seis características de uma mente passiva:

Pensamentos prisioneiros de certos padrões: Ex.: pensamentos de rejeição. A pessoa vê tudo, analisa tudo a partir da rejeição. Sua percepção e conclusão das circunstâncias e atitudes das pessoas são baseadas nesses pensamentos, embora sendo eles irreais, em sua mente, aquilo é uma realidade, o modo de pensar é marcado por esses sentimentos negativos, que convivem com a pessoa e tornam de fato seus pensamentos a eles cativos. Isso acontece em relação ao medo, à preocupação ou outra área qualquer.

Imaginação descontrolada: Aqui falamos de uma imaginação falsa sobre as pessoas e coisas, fora da realidade. Uma mente dominada por fantasias constantes. Uma mente dada a divagações, a construção de “castelos no ar", cheia de fantasias. Todos já tiveram a experiência de divagar uma vez ou outra, mas a mente descontrolada é assolada com freqüência pelas fantasias, sem controle e os sonhos irreais.

Insônia: Muita insônia é motivada por pensamentos descontrolados ou mesmo pelos sonhos e fantasias, ou ainda pelo hábito de pensamentos de medo, rejeição e preocupação. No momento em que a pessoa vai dormir, esses pensamentos povoam a mente, produzem tensão e afastam o sono natural.

Falta de concentração: O problema aqui se manifesta na incapacidade de concentrar a mente ou atenção por muito tempo em alguma coisa. Os pensamentos estão sempre “voando”. Existe uma atenção passiva, que é facilmente despertada, mas uma pessoa normal tem controle sobre sua mente e é capaz de dirigir sua atenção ao que ela deseja. Quando isso não acontece, estamos diante de um sintoma de passividade.

Perda da habilidade de comunicação: Aqui tratamos de um grau elevado de passividade. A habilidade de comunicar os pensamentos e idéias vai sendo afetada. Os pensamentos são confusos e torna-se difícil expressá-los e fazer-se entender.

Incapacidade de raciocinar: Todos os seres humanos são dotados de raciocínio. Quando existe um bloqueio mental, a tal ponto que a pessoa não desenvolve um raciocínio claro, estamos diante de um sinal de perigo. A incapacidade de raciocinar aponta para uma prisão na mente. De fato todos os sintomas abordados evidenciam uma obra maligna, que visa suprimir o uso da faculdade de pensar, raciocinar, refletir, julgar, comparar, decidir, com o fim de dominá-la.

A RESTAURAÇÃO DA VONTADE: Após a conquista da mente consequentemente deve haver a conquista da vontade. Uma depende da outra, uma vontade livre exige uma mente livre. Deus deu ao homem uma vontade livre, sem coagir, forçar ou controlar.

o uso dela, escolhas são feitas, a vontade do homem é uma das grandes dádivas outorgadas por Deus. Ela expressa a essência do Seu ser e revela o grau de experiência. É o fator determinante de todas as escolhas da vida e nada é realizado pelo homem sem o exercício de tão importante faculdade.

É, portanto, imprescindível a sua conquista, a fim de que todas as suas decisões cooperem para o bem e não para o mal que determinam sua vida diária e seu destino eterno. A vontade é o que fica entre o bem e o mal, aquela parte do homem que quando ligada à vontade de Deus, traz uma união que gera uma harmonia entre a criatura e o Criador, libera o poder de Deus e completa a salvação.

A vontade, fica entre o bem e o mal. Temos dois caminhos e é ela quem vai determinar a qual deles iremos seguir. Se a vontade de alguém se torna prisioneira, é por causa da sua própria atitude de não lançar mão dela.

Ainda assim é possível ao homem mudar de rumo, escolhendo o caminho da liberdade que lhe é oferecido em Cristo. De fato a vontade revela o caráter do próprio homem. É impossível separá-la dele, pois expressa o que ele é e tem dentro de si mesmo. Não existe qualquer área em sua vida que não seja por ela afetada.

Vale à pena, portanto, investir em sua restauração, para que ela se harmonize com o propósito Divino para o qual foi dada. Jesus declarou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Lc.22:42).

Jesus tinha vontade? Tinha. Qual era? Fazer a vontade do Pai. Aqui Ele não revela ausência de vontade própria, mas a disposição de abrir mão dela a favor da vontade do Pai, reconhecendo-a como a melhor para a Sua vida. Aqui está o verdadeiro exercício do livre arbítrio. Conquistar a vontade é alcançar a plena liberdade para rejeitar o mal e seguir o bem, a verdade, o caminho proposto pelo Pai.

O homem é uma criação moral de Deus, responsável, livre, dotado do poder de escolha e pode, perfeitamente, rebelar-se contra o domínio do pecado em sua vida e tomar a decisão irrevogável de, à semelhança de Jesus, poder dizer: “A minha comida é fazer a vontade do meu Pai que me enviou e realizar a Sua obra” (10. 4:34).

A vontade tem toda a possibilidade de se tornar prisioneira, como acontece com a mente ou qualquer outra área da nossa vida. O homem que não conhece a Deus, já vive sob o domínio do pecado e no reino das trevas, ainda que não esteja consciente do fato. Agora porém, estamos falando do cristão, daquele que já teve uma experiência com Cristo.

Apesar disso, satanás tentará estabelecer o maior número de bases que ele puder, em áreas da alma e do corpo. Analisaremos, portanto, como a vontade pode ser aprisionada:

Cinco características da vontade que precisa de restauração:

Inércia ou indolência na vontade: Essa inércia é caracterizada pela incapacidade de dominar uma situação. A vida é movida por muita confusão, grandes obstáculos. O momento exige uma tomada de posição, mas a pessoa protela para um amanhã que nunca chega. Tem dificuldade em decidir.

Inconstância: Tarefas inacabadas. A inconstância é a ausência de continuidade. Começa-se um projeto e o interrompe no meio, se é que não fica de lado logo no início.

Incapacidade de concentração da mente: Não exerce domínio sobre os pensamentos. Isso revela uma vontade passiva, porque não há uma decisão firme de se concentrar. A vontade tem poder de ordenar à mente: “concentra-te!”. O ser inteiro é sujeito à vontade do homem e ele pode impor a qualquer área do seu corpo, mente, sentimentos e mesmo o espírito, o que fazer.

Inércia física, ações mecânicas: A passividade da vontade pode-se revelar até no corpo. A pessoa é dominada por uma indisposição física, agindo mecanicamente, em resposta a estímulos externos e não a decisão da sua vontade. Essa atitude favorece grandemente a permanência da depressão.

Deprime a pessoa e esta entrega-se à indolência, o que escancara as portas para toda sorte de opressão maligna.

Incapacidade de tomar decisões ou iniciativa: As pessoas querem que se tome as decisões por elas, até nas pequenas coisas, como o que comprar, o que comer, o que vestir, aonde ir, etc. Quando deixamos que outros tomem as decisões que nos dizem respeito, estamos fugindo da responsabilidade das conseqüências de tais decisões.

Deus, porém, estabeleceu o princípio pelo qual o homem é livre para escolher e é responsável pelas conseqüências de suas próprias escolhas, tanto boas quanto más.

CONCLUSÃO

O ensino equivocado acerca da vontade absoluta de Deus tem tirado do homem a própria vontade, seu querer tem feito com que quase ninguém mais ache que a sua vontade tenha o poder de fazer o que Deus manda que seja feito por nós, para o nosso bem, com ou sem emoção.

Assim, muitos ficam à espera da vontade de Deus quando esta já foi revelada. Todavia, a vontade de Deus não tem que ser emocionante para ser obedecida.

Um comentário:

Anderson Baunhart disse...
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