segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AUTOCOMPAIXÃO - REAÇÃO DE ORGULHO AO SOFRIMENTO

Atualmente, são muito comuns expressões como “você tem que dar um tempo para si mesmo”, “tem que cuidar de você” e outras como essas. O que essas frases revelam, em sua maioria, é um profundo sentimento de autocompaixão difundido na nossa sociedade.

Tudo que Deus faz objetiva exaltar sua misericórdia e abater o orgulho humano (Ef. 2:7,9;1:5,6;) (1 Co. 1:28,29).

A natureza e profundidade do orgulho humano são evidenciadas comparando-se vanglória com autocompaixão. Ambas são manifestações de orgulho.

Vanglória é a reação do orgulho ao sucesso. Autocompaixão é a reação do orgulho ao sofrimento. Quem se vangloria diz: "mereço admiração porque consegui fazer tudo isso". Quem tem pena de si mesmo diz: "Mereço admiração porque fiz um sacrifício tão grande". A vanglória é a voz do orgulho no coração do forte.

A autocompaixão é a voz do orgulho no coração do fraco. Vanglória reflete auto-suficiência. Autocompaixão reflete auto-sacrifício. A razão de a autocompaixão não parecer ser orgulho é que parece ser carência. Acontece que a necessidade brota de um ego ferido, e no fundo, o desejo do que tem pena de si mesmo não é que os outros o vejam como incapaz, mas como herói. A necessidade que ele sente não vem de um sentimento de indignidade, mas de um valor não reconhecido. É a reação do orgulho não aplaudido.

Refletir sobre nossas dificuldades pessoais nos auxiliam em nosso crescimento espiritual bem como nos ajudam a avaliar atitudes afim de evitá-las no futuro ou a corrigi-las o quanto antes. Quando, porém, o individuo elege a posição de vítima da vida, assumindo a condição de autocompaixão, encontra-se a um passo de conflitos emocionais.

A mente pode tornar-se um cárcere sombrio ou ter asas de liberdade conforme a influência de nossos pensamentos e emoções. O cultivo da autocompaixão, mediante reclamações em torno de acontecimentos da vida, demonstrando insatisfação pode converter-se em uma alegria ilusória, realizando um mecanismo de valorização pessoal, cujo desvio comportamental plenifica o ego.

Todo aquele que se faculta da autocompaixão neurótica é portador de insegurança, de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente às transferências de piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas.

Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros, fechando se no seu circulo vicioso. No seu conflito interior, somente a sua situação é dolorosa, digna de apoio e solidariedade.

Quando as expressões de socorro lhe são dirigidas, recusa-as a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz. Aquele que se entrega a autocompaixão, nunca se satisfaz com o que tem, com o que é, com os valores de que dispõe. Não raro, encontra-se bem mais privilegiado do que a maioria das pessoas no seu grupo social; no entanto, reclama e convence-se da verdade que construiu, encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar a sua volta, contaminando assim as pessoas que o cercam.

Os grandes heróis biblicos e seculares lutaram com tenacidade para romper os problemas, as enfermidades e os desafios. Não nasceram fortes; tornaram-se vigorosos no fragor das batalhas travadas. Não se detiveram na lamentação, porque investiram na ação e no tempo disponível.

Moisés: A primeira fraqueza de Moisés era seu complexo de inferioridade, pois, dizia “quem sou para tirar o povo do Egito?”. A outra fraqueza de Moisés era o seu temperamento. Mas depois Deus tratou desta fraqueza e ele foi usado tremendamente como um grande líder. (Ex 3:10-11)

Davi: Este texto deixa claro que a ótica de Deus não é a nossa, Deus vê de uma forma completamente diferente de nós. Deus imputa valor onde o homem não vê valor. Deus valoriza o que o homem vê como comum. “Todos os gigantes de Deus são pessoas fracas”. (I Sm 16:6-7)

Gideão: "Vai nessa tua força!”. Foram as palavras do Senhor para Gideão. Ele poderia até não se sentir autoconfiante, mas Deus sabia que ele era plenamente capaz de cumprir sua tarefa de libertar os israelitas das mãos dos midianitas, com as qualidades e as imperfeições que possuía. “E ele lhe disse; Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Jz.6-15).


Bethoven: continuou compondo, e com mais beleza, após a sua surdez.
Chopin: tuberculoso, deu seguimento às músicas ricas de ternura,entre crises de hemoptises.

Mozart: na miséria, traduziu para os ouvidos humanos as belas melodias que lhe vibravam na alma…

Franklin Rooseelt: vitimado pela poliomielite tornou-se Presidente dos EUA e colaborou grandemente para a paz mundial durante a 2º Guerra.

Hellen Keller: cega, surda e muda, comoveu o mundo com a sua coragem, cultura e amor a Deus, ao próximo, à vida e a si própria. (As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente) Helen Keller


CONCLUSÃO

Quando se mantém a autocompaixão, extermina-se o amor, não se amando, nem tampouco a ninguém. Quem de si se compadece, recusa-se a crescer e não luta, estagnando-se na amargura com a qual se compraz.

2 comentários:

Savio Prado disse...

Louvado seja o Senhor pela graça derramada na vida de vocês!
Estava buscando um entendimento mais profundo sobre o sentimento de autocomiseração e este texto veio de grande Luz para o que buscava. Tenho acompanhado pessoas que sofrem exatamente desse sentimento e ainda sim fica dificil de saber como proceder para que a pessoa alcance a cura nesta áerea. Ja como vocês bem sabem toda e qualquer tipo de confrontação quando é feita com o intuito de elas verem essa realidade, elas tendem a fugir e não assumir as responsabilidades dos pecados que elas mesmos guardam dentro delas.
Diante desse situacao de autocomiseração o que se pode fazer?
Recomendo o nome do livro "Paredes do meu coração" - Bruce Thompson. É um livro muito bom que trata sobre a raiz de rejeicao e as paredes que sao levantadas no coracao em consequencia das feridas de rejeicao. Nela fala brevemente sobre a autocomiseracao, mas nao de forma mais profunda, por isso p texto de voces veio de enorma luz.

Graça e Paz,

Savio Prado

Savio Prado disse...

Louvado seja o Senhor pela graça derramada na vida de vocês!
Estava buscando um entendimento mais profundo sobre o sentimento de autocomiseração e este texto veio de grande Luz para o que buscava. Tenho acompanhado pessoas que sofrem exatamente desse sentimento e ainda sim fica dificil de saber como proceder para que a pessoa alcance a cura nesta áerea. Ja como vocês bem sabem toda e qualquer tipo de confrontação quando é feita com o intuito de elas verem essa realidade, elas tendem a fugir e não assumir as responsabilidades dos pecados que elas mesmos guardam dentro delas.
Diante desse situacao de autocomiseração o que se pode fazer?
Recomendo o nome do livro "Paredes do meu coração" - Bruce Thompson. É um livro muito bom que trata sobre a raiz de rejeicao e as paredes que sao levantadas no coracao em consequencia das feridas de rejeicao. Nela fala brevemente sobre a autocomiseracao, mas nao de forma mais profunda, por isso p texto de voces veio de enorma luz.

Graça e Paz,

Savio Prado